Por *José Arlindo Soares e **Leonardo Gill Correia dos Santos
O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou a semana passada o resultado da avaliação do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica para 2023 a 2025. O primeiro destaque a observar é a continuidade do processo de avaliação que permite verificar as metas realizadas em cada estado e em todos os municípios do Brasil.
Iniciado no Governo FHC, tendo Paulo Renato Souza como ministro da Educação e aperfeiçoado por Fernando Haddad no primeiro Governo Lula, o processo avaliativo vem se tornando uma ferramenta fundamental para definir o estágio em que se encontra a educação nos níveis fundamental e médio, o que permite a alocação de recursos a partir da obtenção de metas no conjunto da federação.
Entre 2023 e 2025, o IDEB registrou uma melhora limitada em todas as etapas, incluindo rede pública e privada. Usando os dados consolidados, quando se toma isoladamente a rede pública, o crescimento é menor. (UOL, 05/08/2026), temos um retrato nas diferentes redes, sendo importante verificar que houve uma melhoria no ensino público, embora ainda modesta.
“Notas subiram, mas avanços na rede pública são tímidos. Entre 2023 e 2025, o IDEB registrou melhora discreta em todas as etapas (em uma escala que vai de zero a dez, incluindo redes pública e privada). No entanto, quando isolamos a rede pública, o crescimento é ainda menor. Veja os dados:
Fundamental 1 – (1º ao 5º ano): média geral de 6 para 6,3. Na rede pública, de 5,7 para 6,1;
Fundamental 2 – (6º ao 9º ano): média geral de 5 para 5,3. Na rede pública, de 4,7 para 5;
Ensino médio: média geral de 4,3 para 4,5. Na rede pública, de 4,1 para 4,3”.
No entanto, levando em conta o início da avaliação em 1990 (pelo SAEB – primeira avaliação nacional de proficiência e contexto escolar), até a atual (IDEB – 2025), a melhoria do ensino público é relevante em todos os níveis, embora persistam ainda graves problemas, como o fato de 34 % dos municípios brasileiros não alcançarem em 2025 a meta de melhoria estipulada para o ensino fundamental.
Temos um processo desigual nas diferentes unidades da federação. A maioria dos estados obteve resultados positivos quando consideramos as metas estabelecidas para as escolas públicas nos anos iniciais que vão do 1º ao 5º ano. Surpreendentemente, estados mais ricos como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal, não obtiveram os resultados estabelecidos pelo plano de metas para as escolas públicas nos anos citados.
Na verdade, o ponto de inflexão da mudança se deu com a formulação e execução da proposta de ensino integral. O Estado de Pernambuco foi o pioneiro na experiência desse modelo de escola, tendo começado pelo ensino médio, com o objetivo de combinar qualidade de ensino com a diminuição da violência juvenil. A partir da experiência de Pernambuco, no primeiro Governo Jarbas, a pauta do ensino integral se tornou nacional.
Pela última avaliação do IDEB, houve um avanço nos indicadores do ensino médio, mas apenas 6 Estados ficaram acima da média nacional. São eles: Paraná, Goiás, Espírito Santo, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Cabe um destaque especial para o Estado do Piauí, que deu o maior salto no IDEB em duas décadas. Em 2005, o Estado tinha o menor indicador do país e obteve, nessa última avaliação, a segunda maior nota entre os Estados.
O significativo no salto obtido pelo Estado do Piauí foi ter conseguido aumentar a proficiência dos estudantes. Nessas duas décadas, a nota média em matemática subiu 46,84% e em português a média piauiense subiu 43,17%. Esse crescimento está muito acima das médias do restante do pais que avançaram 8,46% em matemática e 24,63% em português no mesmo período.
Para o Brasil, o importante agora é enfrentar os desafios que ainda existem na infraestrutura, na gestão, na valorização dos professores e avançar bastante numa área que não está na avaliação do IDEB, que é o ensino infantil, a clientela de creches de 0 a 3 anos.

*José Arlindo Soares, doutor em Sociologia, professor aposentado do Programa de Mestrado em Sociologia da UFPB e atual Presidente do Centro Josué de Castro.

**Leonardo Gill Correia Santos, professor substituto em Sociologia da UFPE, Dr. em Ciência Política pela UFPE.
Artigo publicado originalmente no Jornal do Commercio do dia 13 de agosto de 2026, página 27.